Troque o carro pela bicicleta

Athor Bicicletas

Troque o carro pela bicicleta

O trânsito parou é a famosa hora do rush. Um ciclista atrevido pedala rápido ao largo de dezenas de carros e deixa para trás um verdadeiro mar de máquinas potentes, que seriam capazes de alcançar uma velocidade até dez vezes superior ŕ da sua pobre magrela. Sorte dele. Ao optar pela bicicleta como meio de transporte, nosso personagem evita o estresse dos intermináveis engarrafamentos, espanta o sedentarismo e previne um monte de doenças. Sorte também do meio ambiente.bike
Afinal, ao deixar o carro em casa, vocę, sozinho, deixa de lançar no ar em um só dia 6 quilos de gás carbônico a cada 30 quilômetros a distância média que uma pessoa motorizada percorre numa grande cidade. Parece estranho falar em quilo de um gás? É que a emissăo de gás poluente é medida assim. Faça a conta: se vocę pedalar os mesmíssimos 30 quilômetros durante um ano, vai livrar a atmosfera de quase 2 toneladas de gás carbônico!
Para a saúde, as vantagens das pedaladas também tęm peso considerável. A pessoa perde os quilos extras, ganha massa muscular, aumenta a capacidade cardiorrespiratória e sente um bem-estar incrível, garante o médico André Pedrinelli, do Grupo de Medicina do Esporte daUniversidade de Săo Paulo. E nem precisa tanto esforço. Se vocę for de bicicleta até o supermercado ou ŕ padaria diariamente, já estará dando adeus ao sedentarismo e a todas as encrencas relacionadas a ele.
Circular sobre duas rodas é uma tendęncia no país inteiro. A Abraciclo, Associaçăo Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas, Bicicletas e Similares, estima que mais de 24 milhőes de indivíduos pedalem todo santo dia. Desse contingente, cerca de 53% usa a sua bike como meio de transporte principal. E esse índice năo pára de crescer. Só na capital paulista o número de ciclistas urbanos mais do que dobrou nos últimos cinco anos.
Isso é bom porque pode mudar um cenário preocupante: no Brasil os veículos automotores ocupam um nada honroso primeiro lugar entre os grandes vilőes do aquecimento global. Em nosso território cerca de 87% das emissőes de substâncias poluentes vęm dos escapamentos.O designer gráfico Márcio Caparica, de 28 anos, roda por toda Săo Paulo montado em sua bicicleta, seja para passear, seja para ir ao trabalho.
“Praticamente năo transpiro. Entăo, quando chego ŕ empresa, nem preciso trocar de roupa. Ainda por cima, pedalar me deixa feliz e me mantém em forma”, conta.

O.k., pedalar nas nossas grandes cidades pode ser perigoso, já que o Brasil é pobre em ciclovias. Mas, se o ciclista estiver bem equipado e obedecer ŕs leis de trânsito, o risco de um acidente cai bastante, garante José Rubens DElia, um veterano na locomoçăo sobre duas rodas e um dos mais conceituados treinadores esportivos do país. Ande sempre no lado direito da via nunca pela calçada e tente ser o mais visível possível, usando roupas claras e coloridas, recomenda.

O ciclista também deve evitar ruas e estradas com grande fluxo de caminhőes e ônibus. Escolha rotas alternativas e menos movimentadas, ressalta Cleber Ricci Anderson, ex-atleta profissional e ciclista urbano de velha data.

E lembre-se: seja gentil no trânsito. “Sorrir e mostrar fragilidade, sempre agradecendo e pedindo passagem, inspira respeito no trânsito”, nota DElia. Importante: năo se esqueça de usar os braços para sinalizar conversőes.
Antes de sair pedalando por aí, contudo, é melhor que vocę se prepare. Comece andando todo fim de semana nos parques e nas praças para adquirir resistęncia.

Se há tempos vocę năo pratica atividade física nenhuma, procure um médico antes de iniciar, recomenda o ortopedista Moisés Cohen, do Instituto Cohen de Ortopedia e Medicina do Esporte, em Săo Paulo. Vocę vai sentir que, com o tempo, o condicionamento físico melhora e pedalar já năo será tăo cansativo apenas um prazer para o corpo e a mente.